Schwanke em “O Artista e a Bola” na Oca do Ibirapuera e “Master Brasileiros” no Museu de Arte de Joinville

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Junho de 2014, Copa do Mundo, na OCA DO IBIRAPUERA a atenção está na Bola. O Museu da Cidade se inspirou na Copa e preparou uma mostra que reúne mais de 80 obras de artistas renomados, entre os dias 5 e 29 de junho.

Maio de 2014, reabertura do Museu de Arte de Joinville – MAJ, a exposição Master Brasileiros mostra obras do acervo em virtuosa exposição e faz homenagem a Ottokar Doerffel, personalidade da colonização e formação da cidade de Joinville, construtor e morador da casa que desde 1976 é a sede do museu.

Luiz Henrique Schwanke (Joinville SC 1951 – idem 1992), pintor, desenhista, escultor, ator, dramaturgo, cenógrafo e publicitário, entre os anos 1970 e 1990, por meio de desenhos, pinturas, esculturas e instalações, desenvolve uma constante reflexão sobre o lugar da arte no mundo contemporâneo. Ele articula procedimentos característicos da pop art, do conceitualismo e do minimalismo, tais como a citação de obras paradigmáticas na história da arte e a apropriação e criação em série de imagens e objetos industrializados. Também o interesse pela dicotomia entre claro e escuro e pelo papel da luz na delineação de objetos são questões que perpassam sua trajetória.

 No conjunto de desenhos e pinturas denominado Linguarudos, produzido na segunda metade dos anos 1980, o artista apresenta centenas de variações de um mesmo perfil masculino enraivecido, com a língua e dentes à mostra, gritando ou vomitando. Alguns são feitos sobre páginas de jornal ou folhas de livros contábeis. Os traços e as pinceladas são explicitamente gestuais, como se não houvesse intermediação entre o impulso que os gerou e a imagem final.

 SCHWANKE  Série Linguarudos, 1986  Técnica mista sobre papel  90,5 x 119 cm  Acervo do Museu de Arte de Joinville

SCHWANKE

Série Linguarudos, 1986

Técnica mista sobre papel

90,5 x 119 cm

Acervo do Museu de Arte de Joinville

Nessa época, Schwanke começa a produzir obras tridimensionais com a criação em série de objetos plásticos de uso doméstico, como baldes, mangueiras, prendedores de roupa e galões. Como aponta o crítico de arte Harry Laus, nessa série a organização dos elementos configura colunas e relevos de parede que remetem a estruturas arquitetônicas clássicas1. A beleza do design dos objetos é ressaltada pela repetição e por sua ordenação em composições de proporções exatas. Sobretudo as colunas instaladas em espaços públicos, que se destacam pela monumentalidade.

 SCHWANKE  Sem título, 1989  Plástico e madeira  Coleção Família Schwanke   

SCHWANKE

Sem título, 1989

Plástico e madeira

Coleção Família Schwanke

 

Segundo depoimento do artista, o assunto do claro-escuro nas obras do pintor italiano Michelangelo Caravaggio (1571 - 1610) se torna para ele uma obsessão2, instigando pesquisas que resultam na obra Cubo de Luz, apresentada em 1991, na 21ª Bienal Internacional de São Paulo. Um forte feixe de luz produzido com dezenas de holofotes dispostos abaixo do chão num grande buraco cúbico constitui sua tentativa de dar forma à luz. Nas palavras de Schwanke "o Cubo de Luz tem por paradoxo um volume imaterial, penetrável, visível e de contemplação impossível"3.

 

1       LAUS, Harry. O vôo maior de Schwanke. In: Museu de Arte de Joinville. Schwanke esculturas. Joinville: Museu de Arte de Joinville, 1989.

         SCHWANKE, Luiz Henrique. Depoimento. In 21ª Bienal Internacional de São Paulo. Catálogo Geral. São Paulo: Fundação Bienal, Marca D'Água, 1991, p. 297.

         Idem, p. 298.